Make your own free website on Tripod.com

Reprodução Medicamente Assistida


Como Surgiu?

Conceito de RMA

Evidências

Causas de Infertilidade:

Técnicas de RMA:

Procedimentos:

Diagnóstico e Técnicas Acessórias:

Clínicas de RMA em Portugal

Problemas Relacionados com RMA

Entrevista ao Padre

Viagem a Lisboa (Clínica CEMEARE)

Legislação em Portugal

Imagens

 

 

                               

 

Entrevista ao Sr. Padre Carlos Lourenço

(23/11/2006)

 

O grupo – Antes de mais, não sabemos se o Sr. Padre se lembra, mas esta entrevista é para um trabalho de Área Projecto sobre RMA, para dar a conhecer às pessoas técnicas e é um tema que pouca gente conhece.

 

Eduardo – Sabe em que é que consiste a RMA (Reprodução Medicamente Assistida)?

 

Padre – A RMA é, portanto, fazer a reprodução com recursos a técnicas científicas sem ser só pelo método meramente humano, com recurso a técnicas que fogem ao que é o acto reprodutivo. Penso que será isso.

 

Ricardo – Sabemos que a opinião da igreja, face a este tema é negativa. Qual é a sua opinião, não como padre, mas como uma pessoa sem cargo religioso?

 

Padre – Cargo religioso, portanto, sou pároco. A opinião da igreja não é negativa, aquilo que a igreja diz nesse aspecto, como diz noutros é que, nestas questões de estudo é preciso ver os limites éticos. E, portanto, pelo facto de se fazerem determinados tipos de experiência, não quer dizer que todas sejam eticamente aceites. Há certas experiências que vão para lá do que é eticamente aceitável, tudo aquilo que vá para lá do que é humano, claro que a igreja, como está ao lado, e defende a vida, não pode aceitar, mas que fique claro que a igreja não está contra isso. Está contra aquelas técnicas que superam aquilo que é h/umanamente e eticamente aceitável. Claro que quando, se trata de usar métodos que estão dentro daquilo que é a lógica humana, métodos que respeitam o ser humano na sua integridade e que sejam bons para que as pessoas tenham uma melhor qualidade de vida, é lógico que a igreja não está contra. Por exemplo, recordo, se a ciência conseguiu prevenir determinadas doenças hereditárias, é lógico que a igreja não está contra isso, nem deve estar, tudo isso serve para melhorar tudo isso que é eticamente aceitável para a vida do ser humano. Portanto é claro que a igreja esteja contra as barbaridades que os cientistas fazem.

 

Ricardo – O Sr. Padre conhece alguém que tenha realizado, ou que tenha tentado realizar algum tipo de técnicas de RMA?

 

Padre – Conheço, por exemplo, tenho uma amiga minha, que deu aulas comigo que andou cerca de dez anos em tratamentos para engravidar e estava quase a desistir, foi no último tratamento que fez e engravidou. Tem um miúdo normalíssimo, saudável e quando ele nasceu, ela tinha 40 anos e o marido 41, o miúdo é normal, foi resultado de um tratamento para que acontecesse essa gravidez.

 

Sara – Não nos sabe dizer qual foi o tratamento?

 

Padre – Não sei. Sei que ela fez muitos, sujeitou-se a todos os tipos de tratamentos possíveis e imaginários, que eu não sei os nomes, e portanto, os médicos disseram que era o último que se fazia. Tanto que eles para já estavam a tratar dos papéis para a adopção de uma criança, que para já ficou sem efeito.

 

Sara – Foi há muito tempo?

 

Padre – Foi há cerca de três anos, estavam já mesmo a tratar da adopção.

 

Sara – É capaz de ter sido ICSI.

 

Padre – Os nomes confesso que não sei…

 

Ana – Ela disse, que era ICSI. As técnicas dependem muito do tipo de infertilidade.

 

Padre – Eu confesso que nunca soube isso, porque são coisas do domínio privado e não ando a perguntar quem é que não pode ter filhos, se és tu ou o Paulo. Lógico que não, mas ela sujeitou-se a todos os métodos. As pessoas até diziam: “o primeiro filho aos 40 anos é perigoso e até que seja mas aquele rapaz está óptimo”.

 

Ricardo – Hoje em dia é possível uma pessoa após a menopausa ter filhos…

 

Padre – Sim, ainda há poucos meses uma senhora com 60 anos foi mãe, não me recordo em que país foi, mas sei que me recordo de ter ouvido nas notícias.

 

Ricardo – Segundo a legislação portuguesa actual uma pessoa que recorre a um banco de esperma, a pessoa que doou o esperma a essa clínica não tem qualquer direito…

 

Ana – Não pode ser havido como o pai da criança…

 

Ricardo – Por um lado está-se a criar vida, mas por outro lado a criança vai nascer…

 

Padre – Por isso mesmo é que eu digo que nessas novas experiências e métodos, ideias e práticas tem que se ter muito bem em conta o que é humanamente aceitável. Por exemplo, não faço ideia, mas essa questão que colocaram, agora, é uma questão delicadíssima e acho que às vezes os cientistas, à força de quererem apresentar resultados e tudo mais, cometem exageros, e acho que nesse aspecto há que ter muito cuidado e penso que ainda há que caminhar muito. Não conheço bem a legislação mas penso que está a dar os primeiros passos e há que calcular essas situações desagradáveis de a pessoa saber que deu o esperma ou o óvulo e depois vir a reivindicar que “esse filho é meu, porque fui eu que dei o esperma”. Há que ter em atenção essas situações todas e sobretudo ter em conta aquilo que é humanamente aceitável. Aquilo que vai para lá daquilo que é humano é bárbaro, e se calhar corremos o risco de cometer muitos actos e acções que são, se calhar, um pouco como os povos bárbaros que faziam coisas que hoje são impensáveis e se calhar daqui a algum tempo também vamos fazer com esta tecnologia toda. Se calhar não sei assistir a coisas incríveis e que há que testá-las com muito cuidado.

 

Ricardo – Existe uma técnica, entre milhares de técnicas, principais e secundárias, que se chama fertilização in vitro post mortem. Utiliza-se sémen de uma pessoa já morta para criar um filho…

 

Padre – Pois, não sei se vós vedes as novelas mas agora numa dessas há um situação dessas e sinceramente não sei o que pensar disso, é uma coisa estranha, uma coisa rara, mas não sei sinceramente… porque, reparem que depois levanta-se outra questão. Por mais que as legislações queiram e as pessoas queiram, uma criança tem que ter um pai e uma mãe… e não venham cá com histórias, a presença do pai tem características próprias e às vezes há alguns pais que já se sabem como são. A presença da mãe também tem características próprias e nem o pai substitui a mãe, nem a mãe substitui o pai. Eu fui pároco em Souropires doze anos e conheci casos de miúdos que porque o pai faleceu, foram criados com a mãe e hoje são terríveis e ninguém os domina…      

 

Ricardo – É preciso disciplina…

 

Padre – Uma disciplina com amor e portanto o pai ama o filho com características próprias que a mãe não ama. E, portanto, acho que esta questão que me colocaram pode ser um pau de dois bicos. Mas pode ser boa porque pode ajudar a realizar uma mulher que por um motivo qualquer não pode ter filhos nessa altura, ou antes de programarem a vinda de um filho o marido morre, ou seja pode ser bom mas também, sinceramente, não vejo que isso seja muito positivo depois para a criança. Acho eu, mas é a minha opinião.

 

Ricardo – Já ponderou a doação de esperma a algum banco ou possível utilização do seu esperma para outros casais, visto que o senhor não será visto como o pai da criança aos olhos da lei, de acordo com a actual legislação?

 

Padre – Eu nunca o fazia. Dentro do matrimónio a igreja aceita todas as técnicas que sejam boas para promover a qualidade de vida. Agora isto, pela opinião da igreja, uma mulher solteira ir a um banco de esperma buscar esperma de um homem qualquer, claro que a igreja não aceita isso. Aquilo que a igreja diz é que seja óvulo e esperma do casal. Agora podem recorrer a determinadas técnicas que façam a fertilização in vitro, ou o que seja, mas tudo dentro do casal. É isso que a igreja ensina. E pessoalmente concordo. E além disso, há outras questões… Se se adoptar uma criança, por exemplo, não tem mal nenhum, e acho que essa é uma opção para aquelas pessoas que não podem ter filhos por vias normais, ou mesmo recorrendo a essas técnicas. Quando essas técnicas, dentro do casal, falham, há a adopção, há aí tanta criança que está a desejar verdadeiramente que os adoptem. Isto é o que eu penso. Portanto, dentro do casal é bom que se recorram a todas as técnicas eticamente aceitáveis para que o casal possa ter filhos. Se depois de esgotadas todas as técnicas não puder ser, se adoptarem uma criança não tem mal nenhum. Agora, recorrer a um banco de esperma, sinceramente, não acho que isso seja uma boa opção, não só por aquilo que a igreja ensina sobre o casamento e a família, como outras questões que podem vir a levantar-se, precisamente como consequência dessa.

 

Ricardo – Houve um congresso há algum tempo, em Fátima, onde os Padres se juntaram para discutir este mesmo tema, Reprodução Medicamente Assistida.

 

Padre – Eu ouvi falar, mas, sinceramente, não acompanhei esse congresso, “Congresso pela Vida”. Em relação a isso não vos posso dizer grandes coisas, mas quase de certeza que aquilo que foi dito lá foi aquilo que eu disse: dentro do casal se recorra a todos os métodos eticamente aceitáveis para que o casal tenha filhos. Outras experiências que fazem, aí eu penso que há que ter muito cuidado, muita prudência e ter calma.

 

O Grupo – Acho que está tudo. Em nome do grupo, muito obrigado!



 Este site foi feito no âmbito de um trabalho de Área de Projecto realizado pelos alunos do 12ºE da Escola Secundária da Sé - Guarda
Última actualização: 18/05/07.